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Ilê Aiyê: O primeiro bloco afro do Brasil

o mais belo dos belos

Nascido em 1974 e composto por ritmistas, cantores e dançarinos negros, o Ilê Aiyê é considerado patrimônio cultural da Bahia.

Ilê Aiyê nasce no Curuzu, bairro Liberdade, o de maior população negra do país, com aproximadamente 600 mil habitantes.

O Ilê já foi premiado diversas vezes como melhor bloco afro do carnaval baiano.

A musicalidade do bloco segue diálogo com ritmos oriundos da tradição africana, que ajudam no que o bloco propaga como “reafricanização” do Carnaval da Bahia.

O charme da Liberdade

Identidade e representatividade são marcas do Ilê Aiyê nos foliões do bloco

Bloco Ilê Aiyê: - "reafricanização" do carnaval brasileiro.

Resposta à histórica segregação de negros do carnaval baiano.

Preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira.

A história do Ilê Aiyê mistura-se à história do terreiro Ilê Axé Jitolu e sua responsável, a Ialorixá Mãe Hilda.

A expressão em língua iorubá, Ilê significa casa, e Aiyê, significa terra. Por isso, a tradução do nome pode ser entendida como “nossa casa” ou “nossa Terra”, indicando a ligação do bloco com as heranças dos orixás e com os costumes sociais e culturais da mãe África.

O grupo é fruto da ação da ialorixá (mãe de santo) Hilda Dias dos Santos (1923-2009), a Mãe Hilda Jitolu, e de seu filho Antonio Carlos dos Santos Vovô (1952).

Promove, desde o primeiro desfile, a valorização das populações negras da África e da diáspora africana nas Américas. 

No início dos anos 1970, Vovô, Apolônio de Jesus (1952-1992) e outros moradores do entorno da ladeira do Curuzu, na Liberdade, planejam montar um bloco de carnaval formado só por negros.

Foram inspirados pelas lutas por direitos civis nos Estados Unidos, pelas guerras de libertação contra o colonialismo na África e pelos movimentos norte-americanos do Black Power e dos Panteras Negras.

 

A máscara africana com quatro búzios abertos na testa e que formam uma cruz foi batizada de Perfil Azeviche.

A máscara, que pode receber outros nomes dependendo de cada etnia, é um objeto ritualístico importante em diversas culturas africanas, representando a natureza, a humanidade, a coletividade e a transcendência espiritual.

Além da máscara em si, suas cores também carregam diversos significados. O azeviche, por exemplo, é um tipo de mineral negro que é associado ao barro preto das terras de Liberdade e, ao mesmo tempo, à pele negra.

Já os traços brancos representam a paz; o amarelo faz referência à beleza e riqueza cultural; enquanto o vermelho lembra o sangue do povo negro que foi derramado durante as lutas por libertação.

Se inspirando nessas cores, Dete Lima, estilista do Ilê Aiyê, desenvolveu os turbantes com amarração e as fantasias com tecidos estampados que destacam os integrantes e se tornaram a marca registrada do bloco.

O seu movimento rítmico musical, inventado na década de 1970, foi responsável por uma revolução no carnaval baiano. A partir desse movimento, a musicalidade do carnaval da Bahia ganha força com os ritmos oriundos da tradição africana favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente negra. 

Noite da Beleza Negra

A escolha da deusa do Ilê sempre esteve presente desde a fundação do bloco, porém foi na década de 1980 que o evento foi batizado oficialmente de “Noite da Beleza Negra”.

Um concurso de beleza negra, para mulheres negras. Cabeça erguida, autoestima e o orgulho da herança africana que mudou a vida de suas participantes e inspirou tantas outras rainhas.

 

Tranças, cabelo black power, rastafari, batas, búzios… passam a fazer parte de nossas estratégias de resistência e re-existência.

Todo seu trabalho tem como princípio a discriminação positiva, o enaltecer  as raízes africanas na cultura nacional, retirando da negritude a condição de marginalidade no existir.

E, para além do carnaval, ressignifica atributos negros, investe na autoestima da população 85% preta da capital da Bahia.

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